Quando falamos em acessibilidade nos condomínios, a primeira imagem que costuma surgir é a de uma rampa de acesso. No entanto, garantir um ambiente acessível envolve muito mais do que uma adaptação isolada.
Portas estreitas, desníveis, falta de corrimãos, obstáculos nos corredores e sinalização inadequada também podem dificultar a circulação nas áreas comuns.
Por isso, o assunto exige um olhar mais amplo da gestão. Mais do que solucionar uma barreira específica, o condomínio precisa considerar todo o percurso realizado pelo morador, desde a entrada até os diferentes espaços de uso comum.
A população está envelhecendo — e os condomínios precisam acompanhar
O envelhecimento da população brasileira ajuda a mostrar por que esse assunto merece cada vez mais atenção.
Segundo o Censo Demográfico 2022, o Brasil tinha cerca de 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Esse grupo representava 15,8% da população e cresceu 56% em números absolutos em relação ao levantamento de 2010. Biblioteca IBGE
Além disso, a AABIC destacou recentemente que essa mudança no perfil da população também traz reflexos para os condomínios. Afinal, acessos, elevadores, circulação, sinalização e outras áreas comuns precisam considerar diferentes condições de mobilidade. AABIC
Dessa forma, a acessibilidade deixa de ser uma questão que aparece apenas quando um morador solicita uma adaptação. Ela também passa a fazer parte do planejamento dos espaços para o presente e para o futuro.
Acessibilidade significa pensar no percurso completo
Imagine um condomínio que possui uma rampa na entrada. Depois dela, porém, existe um desnível antes do elevador ou uma passagem que dificulta a circulação.
Nesse caso, uma adaptação isolada não garante necessariamente um percurso acessível.
A ABNT NBR 9050 trabalha justamente com o conceito de rota acessível: um trajeto contínuo, desobstruído e sinalizado que permite o uso dos espaços com autonomia e segurança. A norma também estabelece parâmetros de acessibilidade para as áreas de uso comum de edificações residenciais multifamiliares, condomínios e conjuntos habitacionais. Prefeitura de Ibema
Por isso, a análise pode envolver entradas, corredores, elevadores, portas, pisos, corrimãos, sinalização e outros pontos de circulação.
A acessibilidade também deve ser considerada nos equipamentos utilizados no dia a dia. No caso do armário inteligente EntregAli, por exemplo, a configuração pode ser adaptada às necessidades de acessibilidade do condomínio, com ajustes como o posicionamento da tela para facilitar o uso por pessoas com diferentes condições de mobilidade e alcance. São detalhes que contribuem para uma experiência mais autônoma e acessível para todos.
Nem toda melhoria, portanto, depende de uma grande intervenção na estrutura do condomínio.
Nem toda melhoria começa com uma grande obra
Falar sobre acessibilidade nos condomínios não significa que toda edificação precise iniciar imediatamente uma grande reforma.
Primeiramente, a gestão pode observar como as pessoas circulam pelas áreas comuns e identificar possíveis barreiras. Depois, pode mapear os pontos que precisam de atenção e estabelecer prioridades.
Além disso, algumas situações podem exigir obras e avaliação de profissionais habilitados, enquanto outras dependem de ajustes mais simples na organização dos espaços.
O mais importante é evitar soluções improvisadas. Sempre que houver necessidade de adaptações físicas, o condomínio deve considerar as normas técnicas e a legislação aplicável ao caso.
O que isso muda para o síndico?
Na prática, o tema acrescenta mais um ponto ao planejamento da gestão condominial.
Nesse sentido, o síndico pode observar se existem obstáculos nos principais trajetos, acompanhar as necessidades dos moradores e avaliar tecnicamente possíveis adequações.
Cada condomínio, porém, possui características próprias. Uma construção mais antiga pode apresentar desafios diferentes daqueles encontrados em um empreendimento recente.
Portanto, não existe uma única solução que possa ser aplicada da mesma maneira a todos os condomínios.
Um condomínio preparado para diferentes pessoas
Pensar em acessibilidade significa considerar que as pessoas utilizam os espaços de maneiras diferentes.
Uma pessoa idosa, alguém com deficiência ou mobilidade reduzida e até uma pessoa que esteja temporariamente com dificuldade de locomoção podem encontrar barreiras que passam despercebidas no dia a dia.
Por esse motivo, olhar para a acessibilidade nos condomínios também é olhar para a forma como os espaços funcionam para seus moradores e visitantes.
Mais do que instalar uma rampa, o objetivo é criar percursos que permitam circulação, autonomia e segurança. E, diante das mudanças no perfil da população brasileira, esse assunto tende a ocupar cada vez mais espaço no planejamento da gestão condominial.
Fonte: AABIC — Condomínios ainda esbarram em barreiras de acessibilidade para idosos e pessoas com deficiência IBGE — Censo Demográfico 2022 Ministério dos Direitos Humanos — Guia Prático de Direitos de Acessibilidade